O São Paulo FC enfrentou uma situação inusitada em sua recente partida contra a Internacional de Limeira, válida pela Copa do Brasil. O duelo, realizado na Arena BRB em Brasília, registrou o menor público como mandante do clube em quase seis anos. Apenas 10.060 torcedores compareceram ao estádio para assistir ao empate entre as equipes.
Esse jogo foi realizado fora do Morumbi, casa tradicional do Tricolor, por conta de um acordo firmado com a Arena BRB. Esse contrato permite que o São Paulo jogue partidas na capital federal sempre que o estádio paulistano estiver indisponível, geralmente alugado para eventos como shows ou outros compromissos não esportivos.
De acordo com informações fornecidas pelo clube, a escolha da Arena BRB tem sido estratégica: o gramado é semelhante ao do Morumbi, facilitando a adaptação dos jogadores, e a logística envolvida no deslocamento até Brasília não gera custos adicionais ao clube, já que utiliza seu avião próprio.
No entanto, apesar desses benefícios operacionais, a experiência do torcedor que reside em Brasília ou região tem deixado muito a desejar. Além dos dias de semana serem pouco atrativos para a maioria das pessoas, o horário dos jogos também contribui para afastar os fãs.
Adiciona-se a isso o baixo apelo do Campeonato Paulista, torneio que tradicionalmente não mobiliza tantos torcedores quanto competições nacionais ou internacionais. Porém, o principal motivo de insatisfação parece residir nos altíssimos preços dos ingressos, que têm causado revolta entre os consumidores.
Para ilustrar essa questão, o tíquete médio cobrado no confronto contra a Internacional de Limeira foi o maior do ano até então, chegando a R$ 65,06 por pagante.
Para se ter uma ideia, mesmo em um clássico estadual, como o duelo contra o Corinthians no Morumbi, o valor médio ficou em R$ 60,75. Esses números refletem uma política de preços que muitos consideram completamente desalinhada com a realidade econômica atual.
Analistas apontam que, se fossem adotados valores mais acessíveis, o São Paulo poderia atrair um número muito maior de torcedores à Arena BRB.
Isso não só fortaleceria o vínculo emocional com a base local, mas também aumentaria significativamente a receita gerada por meio do consumo de produtos dentro do estádio, além de beneficiar setores relacionados, como estacionamentos e complexos gastronômicos.
Como comparação, vale lembrar que em 2024, quando o clube disputou dois jogos pelo Campeonato Brasileiro na Arena BRB, os públicos foram bem mais expressivos.
No embate contra o Juventude, por exemplo, 24.153 torcedores compareceram, enquanto a vitória sobre o Corinthians atraiu 25.898 pagantes — mais do que o dobro do registrado na partida contra a Inter de Limeira.
Infelizmente, a tendência é que o próximo jogo do São Paulo na Arena BRB, diante do Velo Clube, continue seguindo a mesma trajetória de baixa presença de público. Se nada mudar no planejamento de precificação e marketing, é provável que ainda menos torcedores estejam dispostos a frequentar o estádio.
Diante desse cenário, especialistas sugerem que tanto o São Paulo quanto a gestão da Arena BRB repensem suas estratégias. Oferecer pacotes promocionais, criar incentivos para famílias e estudantes, além de explorar melhor o potencial turístico da região, poderiam ajudar a reverter esse quadro negativo.
Afinal, a verdadeira força de qualquer clube está em sua conexão com os torcedores, e essa relação precisa ser cultivada com respeito e empatia.