Ronaldo de Assis Moreira, mundialmente conhecido como Ronaldinho Gaúcho ou simplesmente Ronaldinho, é um dos jogadores mais carismáticos, criativos e talentosos da história do futebol. Nascido em 21 de março de 1980, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Ronaldinho não apenas encantou o mundo com suas jogadas de tirar o fôlego, mas também simbolizou, em sua era, o que há de mais puro no jogo bonito: alegria, improvisação e genialidade.
Início de Carreira
Filho de João Moreira e Dona Miguelina, Ronaldinho cresceu em um ambiente humilde, mas repleto de incentivo ao futebol. Sua infância foi marcada pela perda precoce do pai, que faleceu quando Ronaldinho tinha apenas 8 anos. Apesar da tragédia, o jovem demonstrou desde cedo um dom extraordinário com a bola nos pés.
Começou a carreira no Grêmio, clube de sua cidade natal, onde estreou profissionalmente em 1998. Rapidamente, chamou a atenção por sua habilidade, dribles desconcertantes e visão de jogo. Um dos momentos mais icônicos de sua passagem pelo Grêmio foi um hat-trick contra o rival Internacional, aos 17 anos, em pleno Beira-Rio — um feito raro e memorável.
Consagração Internacional
Em 2001, Ronaldinho se transferiu para o Paris Saint-Germain (PSG), clube francês que buscava elevar seu patamar internacional com a contratação de jovens talentos. Na capital francesa, o brasileiro brilhou, marcando gols espetaculares e distribuindo assistências com maestria. Sua atuação na Ligue 1 e na Liga dos Campeões da UEFA o colocou no radar dos gigantes europeus.
Em 2003, foi contratado pelo FC Barcelona, num momento em que o clube catalão vivia uma crise institucional e esportiva. Sua chegada marcaria o início de uma nova era de ouro.
Era Dourada no Barcelona
Sob o comando de Frank Rijkaard, Ronaldinho se tornou o motor criativo do Barça. Ao lado de jogadores como Carles Puyol, Deco e, posteriormente, Lionel Messi (que Ronaldinho ajudou a integrar ao elenco principal), o clube catalão ressurgiu como potência europeia.
Seus dois grandes títulos no clube foram:
- La Liga 2004–05
- La Liga 2005–06
- Liga dos Campeões da UEFA 2005–06
Em 2004 e 2005, Ronaldinho foi eleito FIFA World Player of the Year (Jogador Mundial da FIFA), além de ter conquistado a Bola de Ouro da revista France Football em 2005 — tornando-se o terceiro brasileiro a receber a distinção, após Pelé e Ronaldo Fenômeno.
Sua atuação no Camp Nou é celebrada até hoje, especialmente o gol contra o Real Madrid em 2005, no qual driblou vários jogadores e o goleiro Casillas antes de marcar, arrancando aplausos do rival no Santiago Bernabéu — um dos raros momentos em que um jogador foi ovacionado na casa adversária.
Seleção Brasileira
Ronaldinho estreou pela Seleção Brasileira em 1999, e foi peça-chave em duas Copas do Mundo:
Copa do Mundo de 2002 (Coreia do Japão): Titular ao lado de Ronaldo Fenômeno e Rivaldo, formando o temido trio ofensivo “3R”. Marcou 2 gols na campanha, incluindo um pênalti crucial contra a Bélgica nas oitavas de final. Foi campeão do torneio, coroando sua ascensão internacional.
Copa do Mundo de 2006 (Alemanha): Atuou abaixo de sua forma habitual, e o Brasil foi eliminado nas quartas de final pela França. Apesar das críticas, havia expectativas altas sobre sua liderança, que não se concretizaram plenamente.
Também conquistou a Copa América de 1999 (embora tenha atuado pouco) e a Copa das Confederações de 1999.
Passagem pelo Milan e Declínio
Em 2008, após uma queda de rendimento e problemas extracampo no Barcelona, Ronaldinho se transferiu para o AC Milan. Na Itália, teve uma fase regular: venceu o Campeonato Italiano em 2010–11, mas já não exibia o mesmo brilho de antes. Sua passagem foi marcada por momentos esporádicos de genialidade, mas também por inconsistência.
Retornou ao Brasil em 2011, defendendo Flamengo e Atlético Mineiro. No Galo, viveu um dos capítulos mais emocionantes do fim de carreira: foi campeão da Copa Libertadores em 2013, desempenhando papel fundamental nas fases finais, especialmente nas semifinais contra o Tijuana e na decisão contra o Olimpia, com gols decisivos nos pênaltis. Foi eleito o melhor jogador da competição.
Também teve passagens breves por clubes menores, como o Querétaro (México) e o Fluminense, mas sem o mesmo impacto.
Estilo de Jogo e Legado
Ronaldinho era um “enganche” clássico, com liberdade total para criar, improvisar e surpreender. Seus principais atributos eram:
- Dribles curtos e imprevisíveis
- Chutes de longa distância precisos
- Visão de jogo e passes filtrados
- Cruzamentos e bolas paradas letais
- Capacidade de elevar o nível de seus companheiros
Além disso, sua alegria contagiante e sorriso constante faziam dele um embaixador do futebol como diversão — algo raro na era moderna, cada vez mais tática e rígida.
Vida Pessoal e Problemas Extracampo
Apesar do sucesso nos gramados, Ronaldinho enfrentou controvérsias fora deles. Foi frequentemente criticado por vida noturna intensa, falta de disciplina em períodos específicos da carreira e, mais recentemente, problemas legais:
- Em 2020, foi preso no Paraguai por usar passaportes falsos para entrar no país. Passou vários meses em prisão domiciliar antes de ser liberado.
- Em 2023, foi condenado pela Justiça brasileira a pagar multa por sonegação fiscal.
Apesar disso, mantém uma imagem positiva entre fãs, especialmente pelas memórias de seu futebol mágico.
Prêmios e Reconhecimentos
Entre os principais títulos e distinções de Ronaldinho estão:
- Copa do Mundo FIFA: 2002
- Copa Libertadores: 2013
- Liga dos Campeões da UEFA: 2005–06
- 2× FIFA World Player: 2004, 2005
- Bola de Ouro: 2005
- 2× Campeonato Espanhol: 2004–05, 2005–06
- Campeonato Italiano: 2010–11
- FIFA 100 (lista dos maiores jogadores vivos, escolhida por Pelé em 2004)
Conclusão
Ronaldinho Gaúcho representa, para muitos, o último grande mágico do futebol — um jogador que priorizava o prazer do jogo tanto quanto a vitória. Sua influência transcende estatísticas: ele inspirou gerações de atletas, encantou multidões e provou que, mesmo em tempos de tática rígida e métricas avançadas, a genialidade individual ainda pode brilhar.
Como disse uma vez o jornalista esportivo Juca Kfouri:
“Ronaldinho jogava como se estivesse na rua, com os amigos da infância — só que em estádios lotados, contra os maiores do mundo.”
E foi exatamente isso que o tornou eterno.